Less Is More: Livre-se Dos Excessos

Less Is More: Livre-se Dos Excessos

Já todos ouvimos a célebre expressão “less is more” e os gestores de projetos online devem conhecê-la melhor do que ninguém. A sua lógica inegável defende que o excesso é prejudicial e que tudo está relacionado com um equilíbrio organizacional que se traduz em simplicidade. Mas equilibrar a balança não é uma tarefa fácil, implica [...]

Autor : Wanderley

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Sou licenciado em Marketing e Publicidade, atualmente utilizo os meus conhecimentos na gestão e organização de projetos. Apesar de trabalhar principalmente offline, recentemente assumi as funções em vários projetos online.

Já todos ouvimos a célebre expressão “less is more” e os gestores de projetos online devem conhecê-la melhor do que ninguém. A sua lógica inegável defende que o excesso é prejudicial e que tudo está relacionado com um equilíbrio organizacional que se traduz em simplicidade. Mas equilibrar a balança não é uma tarefa fácil, implica um constante trabalho de reavaliação e um conhecimento profundo das necessidades do leitor.

A melhor forma de fazer evoluir um projeto, é através de constantes reavaliações. Neste mundo online não existe o website perfeito e se procurarmos bem existe sempre algo que podemos melhorar. É neste processo que inevitavelmente vamos “dar de caras” com uma das tarefas mais importantes para qualquer gestor de projetos online, a de retirar os excessos.

A brilhante expressão “less is more” para a maior parte de nós não é uma novidade, a frase do século XVIII retirada de um poema do dramaturgo inglês Robert Browning, reflete na perfeição a importância da simplicidade e como por vezes menos é literalmente mais. Quando criamos um projeto, quando montamos um website existem diversos elementos que queremos inserir no mesmo, o problema é que nós temos uma tendência natural para exagerar e este pode ser um erro fatal.

Tal como em todas as minhas outras abordagens, vou dividir também esta em diversos pontos que considero fundamentais e podem auxiliar qualquer webmaster nesta tarefa muito importante que é a remoção eficaz de excessos. Por favor tenha também em consideração que para cada website existe um conjunto de processos e metodologias específicas, que irão depender de muitos fatores, entre eles a temática, o target e por aí fora. Ou seja, esta abordagem irá focar aspectos importantes e dela você poderá retirar informação para posteriormente realizar o seu trabalho.

1º- Estética E Organização

Este primeiro ponto é mais introdutório e com ele eu pretendo dar relevância a dois aspetos extremamente importantes e que não podem ser ignorados. Não hajam dúvidas que hoje em dia com os recursos e ferramentas à nossa disposição, não existem razões que justifiquem um website esteticamente péssimo. Para WordPress por exemplo, existem themes grátis ou até pagas que já estão devidamente preparadas,  que são criadas tendo em conta aspetos como a simplicidade e a funcionalidade, que são apelativas ao olhar sem serem demasiado exuberantes. Portanto se por acaso tem em mente um projeto em WordPress, não se esqueça disto.

O outro aspecto importantíssimo é a organização, ou seja, “arrumar” tudo no seu devido lugar. Uma organização correcta, tendo em conta aspectos como a usabilidade ou acessibilidade, é como se costuma dizer “meio caminho andado” e facilita também trabalhos futuros. Porquê que a organização é tão importante? A resposta é simples, porque quanto mais organizado esteja o website, menor será a sensação de excesso:

Deixe-me explicar-lhe esta última frase com um exemplo:

- Quando viajo durante uma semana para fora do país, preparo um conjunto de roupas e arrumo-os na mala. Infelizmente eu não tenho muito jeito para organizar a roupa na mala e no final parece que estou a levar roupa a mais e não consigo fechar a maldita mala. O que costumo fazer é recorrer à minha tia que é uma perita nestas coisas. Surpreendentemente quando é ela a fazer o trabalho, eu não só consigo fechar a mala, como podia levar ainda mais coisas. No final parece que estou a levar menos roupa, quando na realidade é exatamente a mesma quantidade, só que desta vez bem organizada.

De certeza que compreende este exemplo que se aplica totalmente em projetos online. Vamos dividir esta parte em dois pontos importantes:

  • 1.1 – Uma boa organização permite analisar com eficácia quais os excessos de um website;
  • 1.2 – Uma boa organização pode “mascarar” um pouco o excesso de informação/conteúdo/elementos;

No primeiro significa que só faz sentido reavaliar um projeto para verificar a existência de excessos, após uma reorganização do mesmo. Ou seja, por vezes podemos julgar que um determinado website está demasiado preenchido, mas após uma reorganização verificamos que afinal estávamos errados. No segundo é fulcral compreender que mesmo existindo um excesso, ele pode ser um pouco “mascarado” com uma boa organização, sendo óbvio que neste caso estamos mais perante um “remendo” do que uma solução permanente.

2º- Um “Não” ao Ruído Visual

Um grande problema nos websites modernos é o chamado “ruído visual” que acontece sempre que são adicionados elementos, imagens ou cores desnecessárias que contribuem para dispersar a atenção do leitor e prejudicam em muito a experiência de navegação. É um erro comum, cometido especialmente por muitos aspirantes a webmasters que com o tempo vão adicionando mais um elemento, mais outro elemento e mais outro até que de repente o seu website parece uma feira virtual.

Por vezes vejo projetos simples como blogues, cujos autores decidem incorporar demasiados elementos e preencher todos os espaços e mais alguns, até já cheguei a ver projetos de excelentes designers com um aspeto incrível, mas que também pecam por alguns excessos desnecessários.

O gestor deve observar o projeto da perspetiva do leitor e nunca de acordo com os seus gostos pessoais, até porque um designer poderá exagerar na componente visual, um programador na complexidade das aplicações e o resultado final pode ser um projeto desequilibrado. Não é isso que queremos, a complexidade deve ser evitada, quanto mais simples melhor, quanto menos obrigarmos o leitor a pensar mais lhe facilitamos a vida.

3º- Reduza O Número De Blocos Publicitários

Na sequência do ponto anterior, aqui fica um conselho extremamente importante, não exagere na publicidade. A máxima “less is more” também serve para a publicidade que em alguns projetos é exagerada. Vários estudos provam que websites com menos espaços publicitários são mais rentáveis do que websites com mais espaços publicitários. Faz todo o sentido, porque quanto mais publicidade colocamos num website, mais ruído visual acrescentamos ao projeto, mais se dissipa a atenção do leitor e consequentemente menos atenção ele dará à publicidade.

Uma prática errada muito comum é a da rodear o conteúdo com publicidade, aqui fica um pequeno exemplo exagerado:

É claro que este exemplo é claramente um exagero, no entanto ele demonstra na perfeição o que acontece em muitos websites. Neste ponto existe uma lição importante:

  • 3.1 – Nunca se deve colocar blocos publicitários muito perto uns dos outros.

Como já disse em cima, não só não será tão rentável, como irá acrescentar mais ruído visual desnecessário e claro, dá um ar “cheesy” ao projeto e prejudica a sua imagem perante os visitantes. Dê algum espaço entre eles, coloque-a de uma forma não invasiva, um bloco “above the fold” é o recomendado, mais do que isso deve ser muito bem pensado. O resto da publicidade coloque-a “below the fold” em pontos estratégicos, mas não exagere.

4º- Less Is More E é Muito Melhor

Retirar excessos, simplificar, colocar de parte a complexidade e tornar um website numa ferramenta eficaz de comunicação não é uma tarefa fácil, mas quando o trabalho é bem feito o resultado costuma ser geralmente muito bom. Vamos a um exemplo:

clique nas imagens para ver uma versão ampliada das mesmas

Sapo (Versão Anterior)


Todos se devem recordar para a versão antiga do portal da Sapo. Não me interpretem mal, a versão antiga não estava nada mal, aliás o Sapo era e continua a ser, no que a portais diz respeito, uma referência e um local onde podemos aprender muito. Mas com o passar dos anos, com o aparecimento de novas práticas surgiram novas tendências e um portal necessita de se actualizar.

Sapo (Nova Versão)


Apesar da nova versão não ter sido propriamente surpreendente ou super-inovadora, uma coisa é certa, ficou consideravelmente melhor do que a anterior. A reorganização de alguns elementos e remoção de outros, a atenção a questões como a usabilidade é óbvia e o resultado final é muito bom. Observando com atenção as duas imagens podemos verificar algumas das mudanças e como por vezes o mesmo elemento trabalhado de uma forma diferente pode ficar muito melhor.

5º- Não Desvie a Atenção Do Visitante Para Zonas Desnecessárias

Este quinto ponto é talvez o mais importante de todos, quando um visitante entra em contato com um website, a última coisa que queremos é desviar a sua atenção para zonas de importância menor, pois corremos o risco de não transmitirmos a mensagem com eficácia. Vamos a alguns exemplos:

Nos dois exemplos de cima, existe claramente um foco principal seguido de outros adicionais. Repare que eu coloquei sempre o foco mais importante do lado esquerdo e isto prende-se com o facto do visitante ler da esquerda para a direita, logo faz todo o sentido usar esta posição. A ideia passa pela introdução de poucos blocos, ou seja o visitante não tem assim tantos lugares para olhar e como tal aumenta a probabilidade para que olhe primeiro para os locais onde queremos que ele olhe. Não se esqueça também que são apenas exemplos e existem inúmeras formas de trabalhar.

O segredo neste exemplo é utilizar os focos de forma inteligente, utilizando-os para imediatamente transmitir a sua mensagem. Coloque pouca informação, de forma a que o visitante a possa “digerir” numa questão de segundos. Agora veja um exemplo de algo que não se deve fazer:

A primeira falha óbvia é a inexistência de um foco principal e a segunda é o excesso de blocos. Existem muitos projetos por aí que cometem este erro e que prejudicam a vida ao visitante que tem dificuldades em processar tanta informação. Se é possível trabalhar com este modelo? Sim é possível, mas o melhor seria retirar alguns blocos e reorganizar tudo. Vamos agora olhar para o mesmo modelo mas trabalhado de outra forma:

Na imagem de cima alguns blocos foram retirados e imediatamente fica tudo muito mais simples e acessível. Eu pessoalmente gosto do foco principal do lado esquerdo, no entanto também é possível fazê-lo funcionar ao centro. Se olharmos para os dois exemplos, podemos perceber que um número maior de blocos dispersa mais a atenção do visitante, enquanto um número menor de blocos – tal como já foi dito -  irá concentrar muito mais a atenção do visitante.

Se num website você quer que o visitante olhe primeiro para uma determinada secção, então o melhor é não lhe dar demasiadas alternativas e destacar corretamente essa mesma secção.

6º- Elimine Funcionalidades e Elementos Desnecessários

Corte com funcionalidades ou elementos desnecessários, aqueles que na maior parte das vezes passam ao lado dos utilizadores e ninguém sequer lhes dá uso. Livre-se deles, se ninguém lhes liga nenhuma é porque não fazem falta e só ocupam espaço. Mas atenção, isto não significa que deve abdicar de tudo e mais alguma coisa, nada disso, o que é importante compreender é que só devem ser mantidas funcionalidades ou elementos que sejam realmente úteis.

Por vezes podemos ficar surpreendidos com a quantidade de funcionalidades ou elementos desnecessários um website pode ter.

7º- No Retirar É Que Está O Ganho

Seguindo a máxima do “less is more“, nós podemos melhorar consideravelmente um website. Aliás encare este como o principal desafio do seu trabalho, recorra à simplicidade para comunicar com rapidez e eficácia, porque um website deve ser acima de tudo, uma potente ferramenta de comunicação.

Procure novas formas de fazer o mesmo mas com muito menos, não se esqueça que este mundo está em constante evolução e todos os dias surgem novas ideias, novas técnicas que podem ser uma ajuda preciosa para o seu trabalho. Uma dica muito importante – e tenha atenção agora porque esta é mesmo importante – foi algo que já mencionei no Desmistificando o “Above The Fold” e que tem a ver com as respostas para o que eu chamo de “perguntas naturais“:

  • 1º- Quem é?
  • 2º- O que é?
  • 3º- Para que serve?
  • 4º- Como utilizar?
  • 5º- Porquê que devo utilizar?

Com que rapidez você responde às perguntas naturais?

Na realidade a rapidez com que você responde a este tipo de perguntas determina se você está ou não a fazer um bom trabalho.

Resumindo:

  • 1º- Dê primazia a um design de qualidade (sem excessos) que respeite princípios como a usabilidade e acessibilidade;
  • 2º- A organização é fundamental, ela beneficia a compreensão e pode até mascarar algum excesso;
  • 3º- O “ruído visual” é um grande problema nos websites modernos, tenha cuidado e mantenha o equilíbrio;
  • 4º- Não é necessário exagerar nos blocos publicitários, primeiro porque a quantidade não garante mais rendimentos, segundo porque os leitores odeiam muita publicidade e finalmente porque fica muito mal. Dê espaço entre os blocos publicitários, não rodeie o conteúdo com publicidade de forma grosseira, é uma técnica de um amadorismo desconcertante;
  • 5º- Retire excessos, simplifique, livre-se da complexidade;
  • 6º- Não desvie a atenção do visitante para secções pouco importantes;
  • 7º- A remoção de excessos é um trabalho complexo, não se esqueça que um website é uma ferramentas de comunicação;
  • 8º- Assim que o visitante entra em contato com um website ele imediatamente começa a formular aquilo que eu chamo de “perguntas naturais”, quanto mais rápido fornecermos as repostas, menos ele terá que pensar e melhor transmitiremos a mensagem.

Finalmente:

A frase “less is more” deve estar sempre presente em tudo o que fazemos, especialmente se queremos comunicar melhor com os nossos leitores.

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